Examina-se a circulação do coronavírus no contexto brasileiro através do
funcionamento de discursos –político, médico-sanitário, midiático e jurisdicional– que
se entrelaçam em circuitos de diferentes sistemas sociais. Objetiva-se recuperar marcas
de estratégias discursivas, particularmente, em torno de duas modalidades de enunciação:
a que orienta ações inspiradas em argumentações pró-isolamento da população, como
forma de conter trajetórias do vírus; e a de caráter exortativo anunciando “palavras de
ordem” contra normas sanitárias e que se presentificam, especificamente, em discursos
presidenciais. São estratégias que não estão em convergência que, portanto, se disputam
no cenário de complexa midiatização, uma vez que são diferentes os fundamentos e as
motivações que as sustentam.